Do article “Adubação com micronutrientes e aminoácidos no sulco de plantio e via foliar na cultura da cana‑de‑açúcar”, de João Batista Xavier Neto, Trabalho de Conclusão de Curso em Agronomia, Universidade Federal de Uberlândia, 2008.
O autor avaliou a eficiência de fertilizantes contendo micronutrientes (Zn, Mn, B, Mo, Mg, S e N) e aminoácidos aplicados no sulco de plantio e via foliar, medindo respostas nutricionais e morfológicas da variedade RB 92579 cultivada em solo de textura média sob condições de sequeiro. O experimento foi conduzido na Usina Trialcool (Canápolis‑MG) em delineamento em blocos casualizados com oito tratamentos e quatro repetições, totalizando 32 parcelas. Os tratamentos incluíram doses crescentes de micronutrientes aplicados no sulco (2,0; 3,0; 4,0 kg ha⁻¹) e combinações foliares de aminoácidos (0,5; 0,75; 1,0 L ha⁻¹) associados a 1,5 ou 2,0 kg ha⁻¹ de micronutrientes, além da testemunha. Os produtos utilizados foram Plantin Plus (Zn 8 %, Mn 5 %, B 3 %, Mo 0,1 %, N 10 %, Mg 1,5 %, S 8 %) e Ferty‑Mould (N 11 %, K₂O 1 %, carbono orgânico total 8 %). Avaliaram‑se número de perfilhos em cinco épocas e teores foliares de boro, manganês e zinco antes e 30 dias após a adubação foliar.
Os resultados mostraram que a aplicação no sulco apresentou resposta quadrática para boro e zinco, com doses ótimas estimadas de 1,94 kg ha⁻¹ para boro (10,07 mg kg⁻¹) e 1,69 kg ha⁻¹ para zinco (14,43 mg kg⁻¹). No entanto, os maiores incrementos foliares ocorreram nos tratamentos foliares, especialmente quando aminoácidos foram combinados com 2,0 kg ha⁻¹ de micronutrientes. O tratamento 7 (1,0 L ha⁻¹ de aminoácidos + 2,0 kg ha⁻¹ de micronutrientes) apresentou os maiores teores foliares após a pulverização: boro passou de 5,5 para 10,25 mg dm⁻³, manganês atingiu 102,25 mg dm⁻³ e zinco alcançou 60,5 mg dm⁻³, valores superiores aos demais tratamentos e dentro ou acima das faixas consideradas adequadas para a cultura. Esses resultados indicam forte efeito de carreamento proporcionado pelos aminoácidos, mesmo sob condições de estresse hídrico.
Quanto ao perfilhamento, não houve diferenças estatísticas entre tratamentos em nenhuma das cinco épocas avaliadas, corroborando estudos que indicam que esse parâmetro é mais sensível ao suprimento de nitrogênio e fósforo do que aos micronutrientes. Apesar disso, a adubação foliar elevou significativamente os teores foliares dos micronutrientes avaliados, demonstrando absorção eficiente mesmo em ambiente de déficit hídrico. O autor conclui que a aplicação foliar de aminoácidos associados a micronutrientes é a estratégia mais eficaz para elevar rapidamente o estado nutricional da cana‑de‑açúcar, enquanto a aplicação no sulco apresenta efeito mais moderado e dependente da dose.
