Goiabeira cultivada com águas de diferentes salinidades e doses de nitrogênio

Do artigo «Produção de porta-enxerto de goiabeira cultivado com águas de diferentes salinidades e doses de nitrogênio», de Leandro de Pádua Souza, Reginaldo Gomes Nobre, Evandro Manoel Silva, Hans Raj Gheyi, e Lauriane Almeida dos Anjos Soares, publicado por Revista Ciência Agronômica

O uso de águas salinas vem sendo considerado uma alternativa para a produção de culturas em geral, principalmente em regiões áridas e semiáridas, onde é comum a ocorrência de fontes de água com concentração elevada de sais, principalmente sódio. Todavia, o manejo inadequado e a própria qualidade da água, associados à demanda evapotranspirométrica contribuem para o aumento da salinidade do solo e a obtenção de produtividades baixas.

Os efeitos adversos dos sais dissolvidos nas águas ou nos solos, na maioria dos casos, são refletidos na inibição e desuniformidade do crescimento, com consequente declínio na capacidade produtiva e na qualidade dos produtos obtidos das plantas cultivadas. Essa condição pode também ser notada em goiabeira (Psidium guajava L.) onde, para ao avaliarem o crescimento inicial de porta-enxertos de goiabeiras irrigadas com águas salinas, constataram que o incremento da salinidade da água inibiu a altura, o diâmetro do caule e o número de folhas emitidas por plantas.

A goiabeira é uma cultura sensível à salinidade, e a formação de mudas e o cultivo da goiabeira sob irrigação, na região semiárida do Nordeste, está na dependência do uso de técnicas que viabilizem o manejo do solo e da água com problemas de sais.

Desse modo, objetivou-se avaliar o crescimento, produção de fitomassa e qualidade de porta-enxerto de goiabeira ‘Crioula’ sob estresse salino e doses de adubação nitrogenada, em condições de ambiente protegido no CCTA/UFCG. O delineamento estatístico foi o de blocos casualizados em esquema fatorial (5 x 4), com quatro repetições.

Os tratamentos consistiram da combinação de cinco níveis de condutividade elétrica da água de irrigação (0,3; 1,1; 1,9; 2,7 e 3,5 dS m-1) e quatro doses de nitrogênio (70, 100, 130 e 160% de N da dose recomendada para cultivo de mudas de goiabeira).

A dose de 541,1 mg de N dm-3 de solo (70% de N recomendada) estimulou o crescimento, o acúmulo de fitomassa na parte aérea e a qualidade dos porta-enxertos de goiabeira ‘Crioula’.

Irrigação com CEa acima de 0,3 dS m-1 afetou negativamente as taxas de crescimento absoluto do diâmetro do caule, fitomassa seca da parte aérea, relação raiz/parte aérea e índice de qualidade de Dickson.

A adubação nitrogenada nas doses de 70 e 100% de N recomendada reduziu o efeito da salinidade da água de irrigação sobre a taxa de crescimento relativo do diâmetro do caule de porta-enxertos de goiabeira.